Pão e ideias: Ah, Paris!

São 08:40 da manhã. Já estamos atrasados para nosso último dia em Paris. Nosso apê alugado pelo Airbnb é confortável, mas pequeno para nós quatro, e todo mundo quer ser o primeiro a usar o [único] banheiro de manhã. Vamos à Versailles, mas antes, digo: “Podiámos tomar café da manhã num lugar diferente hoje. Achei uma opção no foursquare que deu nota 98 para essa boulangerie”. Silêncio. Já me olham atravessado. A razão? Eu quase não costumo nos mandar pra lugares “estranhos” indicados pelo foursquare. Só algumas dezenas de vezes (como no dia em que chegamos em Paris e, com muita fome, seguimos as instruções do aplicativo para um lugar super bem avaliado e que era…. um supermercado afinal, e não um restaurante, como imaginávamos).

Bom, mas era o último dia, e eu sabia que aquilo valeria a pena. Du pain et dês idées ficava a uns quilômetros de onde estávamos e teríamos que seguir de metrô e depois um trecho à pé. Zero pane. Descemos na Place de la République e de lá, depois de errarmos a direção por alguns metros [claro que isso aconteceria], acabamos voltando e encontrando a esquina da famosa padaria.

“Vei, não tem lugar pra sentar lá dentro!”, meu irmão disse logo me acusando de nos colocar em mais uma enrascada [insira aqui o emoji de soltando fogo pelas ventas]. Tudo bem, não fosse pelos 0 graus que estava fazendo do lado de fora. E o lugar era minúsculo. E se parecia com todas as outras boulangeries de esquina em Paris. Será que eu estava assim tão errada? Já era quase meio dia, eu havia nos mandado para uma padaria, sem perspectivas de acomodação nem para um café, quanto mais um brunch ou almoço.

boulangerie a paris
Imagem daqui

Mas… já que estávamos lá, entramos pra pedir nossos croissants [e escargots – uma espécie de rosca, com esse nome devido ao formato em caracol, e tarte de pommes – torta de maça, pois como logo descobrimos, não daria para resistir] . Partimos para nosso método de atendimento, que era simples e infalível: “Bonjour, ça vá? Parlez vous anglais? Good! Then, I’ll have a croissant, please”. Mas, a fila era uma cilada gastronômica. A medida que andávamos, íamos passando por todos aqueles pães e pâtisseries diferentes e maravilhosamente dispostos na vitrine de vidro, convidando-nos a esquecer o tardio café da manhã e passar logo pra sobremesa! No caixa, cada uma já tinha um ou dois itens a mais do que ia pegar inicialmente, e bastou dar a primeira mordida [já do lado de fora do estabelecimento] pra dar meia volta e pedir mais alguma coisa pra “viagem”.

Esquecemos o quanto estava frio. Esquecemos que estávamos atrasados para Versailles. Esqueceram que a ideia de ir até a Du Pain et Des Idées tinha sido “ideia de jerico da Nana”. Era o pedaço de croissant/tarte/escargot mais magnífico da vida. Consistência, crocância, sabor e o que quer mais que seja usado pelos padeiros pra descrever um pão/pâtisserie perfeito. A ideia tinha sido ótima, afinal. Quem merece passar por Paris sem ir até lá? Essa boulangerie não tem a pretensão de estar em meio ao glamour de locais famosos à lá Champs Élysées, nem de ostentar suntuosas acomodações e salons de thé. Seu foco maior está em ser a melhor boulangerie de Paris. E já o conseguiu.

paris, france

E por último, mesmo que você não fale francês, ainda assim vale a pena ver as imagens da produção desse lugar DIVINO:

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